24/10/2008

Porque me apetece dar porrada a esta

Doce civilização cheia de bandidos e malfeitores, que terna identidade que a maldade lhe traz.
Cores, flores, cheiros e sabores escondem o tão tentado veneno que todos os dias nos trai. Comemos, bebemos, compramos e gastamos em seu nome. Deles, os que nos organizam. E como formigas cumprimos os seus rituais, defendemos as suas missões. Eles que estão no comando ditam as novas regras, mas não sabem mais do que nós. De suas normas geramos provérbios e ditados, criamos novas palavras inventando e reinventando doenças.
Eles são grandes mas não são maiores. Somos nós que os que os alimentamos, fomos nós que os criámos, somos nós que os apagamos. Acreditamos neles até querermos pois um dia vamos ter que desconfiar. Sem cara e sem nome caminhamos lado a lado numa avenida qualquer. Por pouco não nos falamos, apesar de ocasionalmente isso poder acontecer.
Quando pensamos assistir a uma sua doce e ingénua sede de poder, hipocritamente identificamo-nos com ela pois é também convictamente que defendemos os nossos ideais. Glorificamo-nos e em nome próprio, encarnamos partidos e causas superiores. Pretendemos sempre mais, mais e mais sem prever quando estamos saciados.
Temos fome de tudo, raramente estamos fartos, nós, gostamos daquele veneno. Eu gosto de veneno, sou viciado.
E que merda, acho que todos gostamos.
Mas penso que o veneno deve estar a acabar, o petróleo já está quase, e eu até ando de comboio. Acho que estamos a gastar demais, só isso. Nós os que gostamos de cores, cheiros e sabores.
Este sistema não desenvolve. A engrenagem está em esforço e sente-se o sobreaquecimento das soldaduras.
Gritemos todos por um novo líder, já estamos a pouco das eleições. Primeiro catalogamos o que nos falta e logo nos esqueceremos que temos é coisas a mais, não sejamos extremistas, inventemos posições.